sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Alejandro

"Eu não sou homem, não sou mulher. Sou hermafrodita." Claro que não. Mas ela não consegue, nunca conseguiu e possivelmente não conseguirá se sentir mulher. Porque ela não é.

Lady Gaga. A vascaína - ou anti-vascaína, não se sabe, com relação a isto ela é meio indecisa - finalmente se libertou. Saiu do armário de vez, jogou a personalidade pouco sincera na sarjeta.

"I know tha we are young, and I know you may love me. But I just can't be with you like this anymore, Alejandro."

Pronto. Jogou fora, pois ela não conseguia mais viver daquele jeito. Ela é Alejandro, ela é Alejandro. Gaga não é mulher por dentro. Gaga é um homem gay dentro da pele de uma mulher. ["But her boyfriend's like a dead, just like a dead/ Draw those flames that burned before him/ Now he's gonna fire fight, got cool the bad"} É evidente, não precisava nem ela dizer - como ela já o fez. Daí minha teoria que Gaga não é Vasco, é Fluminense.

Gaga não era completa enquanto se escondia. ["At this point I've gotta choose, nothing to lose"] Agora eu estou muito curioso pra ouvir as próximas coisas que ela fará. É outra pessoa, outra artista.

Fernando, Roberto. Outros alter-egos ou os desejos de Alejandro-Gaga? Possibilidades, mas sem certezas. Acho que os dois, de repente.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

El Loco Botafogo

São 17 clubes no currículo de El Loco Abreu. Quem acha isso muito? Eu acho normal. Ele nunca teve "O CLUBE". Ok, tem o Nacional lá no Uruguai, mas não parece paixão. Ok, parece paixão, mas não é o máximo que este grande homem e ídolo pode dar a um clube.

Meu ponto com este post é claro. É pra falar de uma mística que uniu El Loco e Botafogo.

Botafogo é um clube diferente. Mas seus torcedores me irritam muitas vezes. Eles se levam muito a sério, levam a instituição como sinônimo de superstição ao máximo. E a cegueira é inevitável, óbvio. Isto é ruim, botafoguense. O choro, arma de qualquer botafoguense, também é desnecessário. Enfim.

Voltemos ao Loco. Minha teoria de que o Botafogo é diferente se prova com ele. Depois de ser tri-vice do Flamengo, logo no ano que o Loco chega a fila anda. Botafogo campeão levando os dois turnos. Pênalti cobrado com cavadinha na final. Festa da torcida e idolatria ao Loco.

Ou seja: O Botafogo precisa de um jogador místico para manter seu misticismo.

Loco passou por 17 times. Mais de um clube por ano de carreira. E logo no Botafogo o cara se estabiliza. Torna-se ídolo de torcedores de outros clubes - como eu - e, de quebra, faz uma campanha histórica com o Uruguai na Copa. E contra Gana, no MELHOR jogo da Copa, que foi decidido nos pênaltis, lá estava a cavadinha de novo. Coisa mais linda da Copa, por sinal.

Tenho a sensação de amar El Loco. Soy Loco por tí, chico. Gracias.

Quanto ao Botafogo, Garrincha, Nilton Santos e Didi agradecem jogadores como El Loco. Eles mantém a mística botafoguense, o que é, sim, uma instituição. Alguns babacas dizem "ele nem joga muito bem, meio bonde, né..." e eu respondo "vai tomar no cu". Só isso. Já basta. Não gosto de pensamento pequeno.

Ih! Fudeu! El Loco Abreu!

sábado, 24 de julho de 2010

O lado ruim das coisas

Seria mais ou menos como se eu pedisse pra você sempre enxergar o lado bom. Não das coisas, mas das pessoas; dos animais; do tempo.
Eu colocaria uma manta no seu corpo, e este, quente, começaria a suar. A água iria deixar a manta escura, e assim você conseguiria dormir. Porque você só dorme no escuro. E está claro fora da manta. Só que logo depois você acorda, pois está calor. E aí você decide: "vou fazer um café, de repente", ou seja, não dormir.

Quase isso.

Eu não vou pedir para ninguém ver o lado bom das coisas. Eu, na verdade, quero insistir para que você veja o lado ruim de tudo. Quero ser seu diabinho.

Você acorda às 7. Você está com sono, pois dormiu às 4. Que merda. Mas você tem que levantar e ir pra aula, ou trabalhar. Chega a hora do almoço e você vai comer na rua. A comida da rua é uma merda - isso é um ponto que eu insisto: comer na rua é uma merda. Mas não dá pra voltar pra casa, então você come na rua. Depois de comer você quer dormir, mas, a não ser que você seja um mendigo, você não pode dormir, porque você está na rua. Na rua. Então você volta pro trabalho e atura um babaca que sabe três vezes menos do que você. Que se acha alguma coisa, mas os olhos daquele idiota mostram que ele é um ser reles, que puxa o saco de um e arranca o de outros. Como ele tenta arrancar o seu. Você pode deixar ou não. Vamos supor que você seja otário - ou fraco - e deixe. Ok. Agora você está puto, estressado e na rua. E ainda são 17:30. Você sai do trabalho às 19:00 e se fode. O trânsito está um cocô. Você se fode mais ainda porque volta a pé no ônibus. Chega em casa às 20:15, morto, fedendo, faminto. Você toma banho, vê alguma coisa na internet, come e deita um pouco, de repente pra ler um livro. FUDEU! Ainda são 22:oo de sexta-feira e ninguém quer fazer nada. Ou quer fazer uma coisa muito agitada estilo "ainda estou no meu terceiro ano de colégio". E você se fode novamente. Reparou quantas vezes você se fode em apenas um dia? Essa é a "idéia". Ou, pelo menos, o ideal neste caso. Porque a ordem é VER O LADO RUIM DAS COISAS. Continuando com essa ordem, você decide abrir o msn. Só gente chata, nada legal, seu sapato acaba de ser jogado pela sua mãe em seu quarto, pois sapato não pode ficar na sala. E então você olha no relógio. São 23:00. Ocorre-te que ela esteja em casa. Você liga, e ela não atende (como sempre). Você decide ir dormir, foda-se, mas pouco tempo depois ela liga. "Vem aqui pra casa"; ou então "quero te ver, vamos tomar uma cerveja?" Você pensa e responde "só se for agora". Pronto. Se fudeu o dia todo, mas tá lá uma coisa que nem o ato de VER O LADO RUIM DAS COISAS te tira. O gostar de alguém.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Internet

Essa vai pra quem tem twitter.

Quando surgiu, dividiu opiniões. Uns apoiavam, outros achavam inútil. Se você acha inútil, o (a) inútil é você. Não entre por este mérito infantil, por favor. Mas, pensando bem, talvez quem ache o twitter inútil tenha razão. Apenas houve uma falha de comunicação, pois é twitter é lugar de inútil. Aí, sim. Concordamos em número, gênero e grau. Se eu sou um cara inútil, vou twittar o dia inteiro. Óbvio. Pois quero que você também seja inútil, assim como eu. E ser inútil não é ruim. Não do meu ponto de vista. Agora, o inútil empresarial é mais cruel.

Inú-tel! Nós somos Inú-tel!
Inú-tel! Nós somos Inú-tel!

Mas o twitter também cria mostrinhos. O exemplo mais forte do momento: Felipe Neto. Acho legal o canal dele no youtube, o "Não Faz Sentido". O cara é divertido, tem um bom texto, tem idéias - o que, hoje em dia, é escasso. Mas isso tudo não encobre o fato de que Felipe Neto é um pouco hipócrita. Seu programa sobre Trolls (Trolls são aquelas pessoas que só falam mal dos outros na internet, mas não mostram a cara), por exemplo, é totalmente desnecessário - e, sim, um pouco hipócrita. Ele, de certa forma, é um Troll. Só que um Troll que mostra a cara. Grande coisa, eu também faço isso. Na descrição do meu blog está a minha foto, o meu e-mail, o meu facebook. Todos sabem quem sou eu, Rodrigo Viegas. Felipe Neto fez um programa falando mal de Justin Bieber. Discordei. Ri um pouco, mas achei forçado. O cara não gosta de Justin Bieber, tá legal, o moleque tem um estilinho meio escroto à primeira vista. Mas não se pode negar o talento do rapaz. Não se pode negar que grandes gênios da música também começaram como bibelôs de meninas de 13 anos retardadas mentais - porque TODAS as meninas e TODOS os meninos de 13 anos são retardados mentais. Rappers renomados como Usher e Ludacris acreditam e apostam no moleque. É todo mundo idiota, por conseguinte? Claro que não. No vídeo sobre Justin, Felipe Neto dá uma de Troll. Aí a coisa começa a me irritar e eu começo a implicar com uma criatura dessas.

Outro ponto são os blogs. Hoje em dia, se você não tem blog de humor, você tá perdendo seu tempo. Vai se fuder. E os "humoristas" dos blogs são aqueles engraçadinhos do twitter. Dá um tempo, Antônio Tabet (kibeloco). Dá um tempo, Rodrigo Fernandes (jacaré banguela). Vocês são comediantes mesmo? Então façam um texto e subam no palco. Encarem o público. Encarem a luz, encarem os bêbados de um bar, encarem as dificuldades que um comediante stand up - que os engraçadinhos do Antônio Tabet e do Felipe Neto tanto criticam - passam. Não é corporativismo, longe disso. Eu tenho texto de stand up, algumas apresentações no currículo, mas não posso me declarar um comediante stand up. Sou ator; comediante, não. Mas pelo menos sei que é duro ser um.

É isso aí. Agora vou tomar cuidado para que o mundo não seja dominado pelas sub-celebridades e pelos "humoristas" do momento. Os blogueiros que citei acima são engraçados. Mas poderiam ser menos babacas, menos globais, menos empresariais.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Com amor

Eu insisto em algumas coisas. Algumas coisas de amor. Eu vou pra lugar nenhum, mas a questão do amor insiste em aparecer naqueles dias que eu não gostaria de pensar sobre isso.

Pense no dia que alguém te dê um coração. Pense, agora, literalmente. Você precisa de um coração para viver, e rápido. Alguma pessoa, sabe-se lá aonde, acaba de morrer. O coração dela vai salvar sua vida. O que você é depois dessa cirurgia? Você? Não use metáforas agora. Eu não as uso para falar de amor.

Quem usa metáfora para falar de amor são os poetas e romancistas dos últimos séculos. Vinícius de Morais, Victor Hugo e alguns outros. Mas eles tinham a limitação de falar do amor que eles sentiam por mulheres (ou homens), ou pais, ou irmãos, ou à ALGUMA PESSOA. Ninguém tem coragem de falar sobre amor? Esse amor de mulher-homem, etc., acaba. E aí? A poeta se mata, certo? Não. Fica na glória ainda. Ele cria a glória de empresa, a glória limitação.

Quero apresentar o amor. O amor de amar mesmo. Amar por amar, você é capaz? Se é, tem coragem? Eu amo pra chorar, eu choro pra expressar o meu lado humano. A empresa maquinizou os sentimentos. O seu lado humano está cada vez mais obscuro. O meu não. Ainda fica flutuando entre sentimentos, coisas que tocam. Músicas, momentos, filmes, óperas, peças de teatro, livros, palavras. O amor que eu dou ao mundo eu demonstro, em boa parte, nas lágrimas que faço questão que escorram do meu rosto. E ainda vou fazer por muito tempo. E isso é por você. Una-se a mim.

Tente imaginar o mundo que Lennon imaginou. E sabe o que mais é nojento? Quem pensa nisso com um pé atrás. "É impossível", "É utopia", "É coisa de vagabundo", "Não perco meu tempo", "Tenho que trabalhar", "Tenho que ter minha vida e não pensar em amor ou em mundo. Eu sou meu mundo, minha empresa é meu mundo, minha vida". Se você pensa de alguma das formas acima, pare de ler o blog agora. Não é pra você.





Eu te pergunto: Are we human? Or are we dancer?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Less Than Zero - Downey Jr,



Less Than Zero. Abaixo de zero, ou seja, nada. Se era pouco, agora é nada. Pouco era ruim, mas nada é pior. Talvez caiba uma improvisação de Julian livre das drogas. De Julian sem dar problemas. De Downey Jr. jamais ter usado drogas. De o companheiro X ter uma bela namorada, Y. Só que X tem cara de mongol. A amiga insuportável de a Y, que se acha mais bonita que Y, diz invejosamente que o namorado dela tem cara de mongol. Ela diz "Pára, amiga. Não fala assim dele, vai... Ele é fofo". Só que Y sabe que ele tem cara de mongol. Antes de dormir, ela chega à conclusão óbvia: quando ela admitir para si mesma que X tem cara de mongol, é porque o namoro está ruindo. Voltando a Julian, o rapaz já não dorme. Prostitui-se por pó. Vira uma bicha. Faggot. E agora ele não pode voltar. Seus amigos acham que ele pode, mas se ele voltasse o filme tomaria um rumo detestável, deplorável, auto-destrutivo. Ainda que eu tenha certeza que a única coisa realmente boa do filme é a atuação impecável de Downey Jr., eu não suportaria a idéia de ter perdido quase duas horas vendo o filme se ele se salvasse. Ele se deformou. E não teve nenhuma espécie de auto-intervenção. Era balela, lenga lega, estória para boi dormir. Ele não queria o pai de volta. O pai poderia morrer, como a mãe. Tanto faz. Ou não.
Pensemos numa possível deformação de Julian. Ele é um rapaz que vai pra faculdade. Futuro promissor. Julian se forma, arruma um ótimo emprego. Aos 40 anos, já com 15 anos de empresa, decide se matar. Não se mata. Mas queria ter se matado. Faz algo melhor. Daí há duas possibilidades:
1- Julian torna-se um viciado aos 40 anos mesmo e se deteriora por completo em apenas 2 anos.
2- Julian constrói uma máquina do tempo, volta no tempo, torna-se um viciado. Mas antes mata seu pai, seus dois amigos, Clay e Blair, seus professores da faculdade e seus chefes na empresa. Detalhe: Julian volta no tempo com seu corpo de 40 anos.

Vejam o filme Less Than Zero. Quaisquer falhas na direção, roteiro, som e edição são mera coincidência. Foco em Downey Jr. Próximo Passo: Chaplin.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Isso, aquilo...

Eu poderia postar uns 40 textos para tentar explicar o que senti por ela. Eu escreveria, escreveria, enrolaria, mas jamais - digo jamais muito consciente - conseguiria expressar com palavras isso.
Isso? O que seria isso? Também não sei. Já me falaram que foi amor, paixão, bobeira, mas nunca traduziram perfeitamente o que senti por ela. Senti, apenas, não. Respirei, pensei, chorei, me perguntei o porquê disso estar acontecendo comigo. Os motivos nunca ficaram explícitos, mas houve uma hora que eu simplesmente parei de me perguntar. Chega de perguntas e respostas, melhor será assim. Ficar perguntando e respondendo, para mim, não era vivê-la.
Eu nunca me desiludi. Nunca tentei, nunca consegui ela. Nunca pensei numa coisa maior do que isso. Minhas vontades ficavam atadas, minha moral abalada, minha auto-estima baixa, infinitamente contrária à minha inspiração, que não tinha limites. Falar de amor comigo era falar de sacanagem. Alguém falava de amor e eu simplesmente não conseguia acompanhar. Eu já tinha amado, mas o que eu senti não era amor. Não mesmo. Era maior, muito maior. Era puro, sincero, nobre, honesto, sem cobrança, sem expectativa a curto prazo. Quem ama tem expectativa a curto prazo. Eu não tinha. Eu sentia isso como uma criança de cinco anos ama. Sem maldade, sem sacanagem.
Todos os benditos dias daquele ano eu a via, no esplendor da minha não expectativa. Da minha vontade de vê-la, só pra começar o dia. Se eu não a via o meu dia começava mal. Eu sabia: meu dia começou mal do cú, e a tendência era que ele acabasse ainda pior do cú. Muitas desculpas foram usadas só para vê-la. Tenho uma lista do tamanho de um mar de desculpas que usei para vê-la, fazê-la rir, fazê-la olhar pra mim, pois eu a forçava olhar para mim todos os dias. E ela gostava. Nem 000,1% do que eu gostava, mas gostava. E ninguém pode dizer o contrário. Se diz é porque quer me sacanear.
Um beijo recusado numa noite atípica. Foi o que eu pude fazer para me manter moral, para me manter homem. E, como eu já disse aqui, eu sou moral. Eu tenho essa porra dessa moral até o cu da alma. E quem pensa diferente, na verdade, não pensa. Fala que pensa. E momentos como os que aconteceram nessa noite atípica, por exemplo, comprovam que eu sou mais. Não mais que ela, pois eu nunca cobrei nada em cima disso.
Eu não a tenho, nunca a tive e jamais a terei. E ligo pra isso? Nunca liguei. E isso é até um sintoma de que os meus dias tendem a ficar mal do cú desde o princípio do próprio, pois eu não a vejo todos os dias, às 7 da manhã. É a vida.