quarta-feira, 5 de maio de 2010

Isso, aquilo...

Eu poderia postar uns 40 textos para tentar explicar o que senti por ela. Eu escreveria, escreveria, enrolaria, mas jamais - digo jamais muito consciente - conseguiria expressar com palavras isso.
Isso? O que seria isso? Também não sei. Já me falaram que foi amor, paixão, bobeira, mas nunca traduziram perfeitamente o que senti por ela. Senti, apenas, não. Respirei, pensei, chorei, me perguntei o porquê disso estar acontecendo comigo. Os motivos nunca ficaram explícitos, mas houve uma hora que eu simplesmente parei de me perguntar. Chega de perguntas e respostas, melhor será assim. Ficar perguntando e respondendo, para mim, não era vivê-la.
Eu nunca me desiludi. Nunca tentei, nunca consegui ela. Nunca pensei numa coisa maior do que isso. Minhas vontades ficavam atadas, minha moral abalada, minha auto-estima baixa, infinitamente contrária à minha inspiração, que não tinha limites. Falar de amor comigo era falar de sacanagem. Alguém falava de amor e eu simplesmente não conseguia acompanhar. Eu já tinha amado, mas o que eu senti não era amor. Não mesmo. Era maior, muito maior. Era puro, sincero, nobre, honesto, sem cobrança, sem expectativa a curto prazo. Quem ama tem expectativa a curto prazo. Eu não tinha. Eu sentia isso como uma criança de cinco anos ama. Sem maldade, sem sacanagem.
Todos os benditos dias daquele ano eu a via, no esplendor da minha não expectativa. Da minha vontade de vê-la, só pra começar o dia. Se eu não a via o meu dia começava mal. Eu sabia: meu dia começou mal do cú, e a tendência era que ele acabasse ainda pior do cú. Muitas desculpas foram usadas só para vê-la. Tenho uma lista do tamanho de um mar de desculpas que usei para vê-la, fazê-la rir, fazê-la olhar pra mim, pois eu a forçava olhar para mim todos os dias. E ela gostava. Nem 000,1% do que eu gostava, mas gostava. E ninguém pode dizer o contrário. Se diz é porque quer me sacanear.
Um beijo recusado numa noite atípica. Foi o que eu pude fazer para me manter moral, para me manter homem. E, como eu já disse aqui, eu sou moral. Eu tenho essa porra dessa moral até o cu da alma. E quem pensa diferente, na verdade, não pensa. Fala que pensa. E momentos como os que aconteceram nessa noite atípica, por exemplo, comprovam que eu sou mais. Não mais que ela, pois eu nunca cobrei nada em cima disso.
Eu não a tenho, nunca a tive e jamais a terei. E ligo pra isso? Nunca liguei. E isso é até um sintoma de que os meus dias tendem a ficar mal do cú desde o princípio do próprio, pois eu não a vejo todos os dias, às 7 da manhã. É a vida.

2 comentários:

  1. It's Rebeca la musa?
    Ou apenas ilusão, vertigem descompassada de muitas?

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  2. Nunca se sabe, Nando, deixo isso no imaginário de vocês... Pode ser, pode não ser, mas a idéia do texto não é a pessoa, mas o sentimento. Poderia ter sido por uma vaca, por uma ovelha, tanto faz, pois daria na mesma.

    Entende?

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