Pensemos numa possível deformação de Julian. Ele é um rapaz que vai pra faculdade. Futuro promissor. Julian se forma, arruma um ótimo emprego. Aos 40 anos, já com 15 anos de empresa, decide se matar. Não se mata. Mas queria ter se matado. Faz algo melhor. Daí há duas possibilidades:
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Less Than Zero - Downey Jr,
Pensemos numa possível deformação de Julian. Ele é um rapaz que vai pra faculdade. Futuro promissor. Julian se forma, arruma um ótimo emprego. Aos 40 anos, já com 15 anos de empresa, decide se matar. Não se mata. Mas queria ter se matado. Faz algo melhor. Daí há duas possibilidades:
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Isso, aquilo...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Modo de vida
Personificações do "Modo de vida: 171".
Ser, de fato, louco: Acordar feliz, ficar triste do nada, andar pela sala, fazer ginástica, lamentar quem lê jornal, ou seja, desgraça, perturbar-se com barulhos alheios, como obras e o baterista de merda do andar de cima, agraciar as pessoas que se ama com um bom humor pouco comum - afinal, o mundo está na fossa -, propor idéias artisticamente brilhantes, levar em consideração os fatores mais irrelevantes da vida, como o próprio azar, considerar a vida uma pérola, achar Deus um ignorante - considerando, claro, que ele existe -, fazer pão em casa, tomar cerveja vendo filme cult, viajar sozinho.
Pronto.
Alcança-se um paralelo do desgraçado e o engraçado. O engraçado é aquele que não é louco, mas se passa de louco para se dar bem, para ser diferente, para dar a bunda, para ser vanguarda, para ser modernista, para ser relesmundo, para enfeitar a vida com literatura clássica, para perturbar a vida alheia, para se alimentar de nada. Nada mesmo. Viver é uma questão de méritos, não apenas de "ser acomodado" ou "alienado". Invenções da massa. Massa. Massa. Isto é massa. Este infeliz se culpa dia inteiro por ter fumado maconha no dia anterior.
Desgraçado, coitado, é quem não tem graça. Tampouco compreende o por que dele ser um louco, mas sabe que é louco mesmo. Não graça de gracinha, piada, mas graça divina. Não divina de Deus, mas das forças do universo. Estas conspiram contra o desgraçado. Ele tenta, tentou e tentará a vida inteira apenas uma coisa: não incomodar ninguém. Desde que não seja incomodado. Ele não quer gostar de alguma coisa para que os outros gostem dele. Ele não quer saber dos outros, desde que os outros o deixem em paz. Por causa disso, por ter que sorrir sempre, ele é o desgraçado. E sempre será.
Mas tem gente que nasce com complexo de desgraçado-engraçado. Essas pessoas se matam antes dos 30 anos. Elas não tem vida; tem carma. Carma mesmo, daqueles que nem santo cura. Porra nenhuma cura. Só a morte. Mas não uma morte discreta. Foda-se esperar 80 anos pra morrer. Tem que chocar. Tem que abalar. Tem que ser feio mesmo. Foda-se papai, mamãe e quem fica. Ninguém pensaria duas vezes se estivesse no lugar do desgraçado-engraçado. Ele não suporta e...
Karma Police
Arrest this man, he talks in maths / He buzzes like a fridge, he´s like a detuned radio
Arrest this girl, her Hitler hairdo / Is making me feel ill, and we have crashed her party
domingo, 25 de abril de 2010
Personificação de fuder o dia no cú
Meu guru ideológico, 'FGM', chegou ao bar, num dia normal de bar, contando a seguinte estória: "Estava na rua quando um cara me parou. Ele estava desesperado, nitidamente. Ele me pediu carona para levar sua mulher até o hospital mais próximo, pois o neném deles estava para nascer. Eu disse que não teria como levá-los, então ele me pediu dinheiro. Eu dei 10 reais, pois aquele cara estava sendo verdadeiro. Ou, na pior das hipóteses, ele é um belo ator, então ele mereceu o dinheiro, mesmo se fosse mentira." Semana que passa, 'FGM' me manda um tweet explicando que seu pai fora abordado pelo mesmo cara com o mesmo golpe. Mal estar geral. Momento descrença abate a mim e a 'FGM'.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Sgt. Pepper Lonely Rebolation Hearts Club Band
Somos a banda do sargento pimenta; Não queremos vocês, imundos. Não queremos o reles, o público, a gritaria, a sobriedade. Nós queremos ser da Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band. Nós queremos ser da banda que não depende de ninguém, senão de nossos talentos. Talvez as droguinhas ajudem a nós, os drogaditos, a entendermos por que temos de fazer shows para todos esses imundos.
Lennon para Harrison: Vai tomar no teu cu e fica na sua, sub-raça. Sub-banda, menorzinho, pequenino. Você tem piru pequeno, ouviu?
Lennon para Starr: Te amo, cara. Sério. Te amo. We all live in a yellow submarine, yellow submarine, yellow submarine.
Starr para Lennon, McCartney e
McCartney para Lennon: Vai se fuder, seu marrentinho de merda. Eu sou mais talentoso que você. Eu faço as baladinhas boladas. Eu faço as linhas de baixo hipnotizantes. E você? Só grita que nem um doido. Lame, lame... Fucker!
Harrison para Lennon: Eu quero ser alguém também, senhor. Eu quero ser maior do que sou, pois sei que tenho material. Olha meu material ao menos, chefia. Por favor.
Harrison para McCartney: O chefe tá bolado. O que faremos?
McCartney para Harrison: Começaremos a fazer música, finalmente. Fique ao meu lado. Tem coragem?
Harrison para McCartney: Fuck off.
“All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?
Father McKenzie writing the words of a sermon that no one will hear
No one comes here
Look at him working, darning his socks in the night when there's nobody there
Who does he care?"
McCartney: Então vamos lá. E quem disse que eu não morri? Ou não. Quem sabe? Como saberemos?
“He blew his mind out in a car
He didn't notice that the lights had changed
A crowd of people stood and stared
They'd seen his face before
Nobody was really sure if he was from the House of Lords.”
“Follow her down to a bridge by a fountain
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds”
McCartney: Pode perder a linha assim, ditadorzinho? Então eu vou perder também.
Melhor coisa que aconteceu na carreira dos Beatles foi o fato deles não fazerem mais shows a partir de 66. Ali, finalmente, a coisa começa a andar - e parar de engatinhar.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Improviso
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say, but you can learn how the play the game
It's easy"
terça-feira, 6 de abril de 2010
E o RJ continua lindo...
Não conseguiram estragar com as belezas do Rio de Janeiro por mais de quinhentos anos, então presumo que não será agora.
“Eu queria um barquinho, doutor
Poder navegar pelo rio
Alcançar o peixe suculento
Sem me preocupar se volto ou não”
Há poucos anos atrás eu tinha um orgulho imenso de ser carioca. E tinha nojo de ser brasileiro. Conforme as águas passaram pelo Rio, desisti de pensar dessa forma. Eu tinha orgulho de ser carioca por causa da poética. A poética do Rio de Janeiro está nos bares, mas hoje não dá pra ir. Motivo? Estão todos fechados por causa da chuva.
Sem querer me preocupar demais com questões ideológicas, ressalto imediatamente que o Brasil é subestimado. Mal tratado, mal interpretado, mal freqüentado. Minha obrigação é amá-lo. Nunca a frase ditatorial “Ame-o ou deixe-o” fez sentido pra mim. Hoje ela se apresenta mais clara do que qualquer frase já dita na história desta colônia. Hoje a ditadura se apresenta menos inoportuna pra mim. Não que eu tenha vivido à época, mas houve uma tentativa de vanguarda ali que deve ser respeitada.
O Rio de Janeiro não decepciona quem vem ver, mas impressiona quem tenta amar as coisas que um dia já foram exaltadas por poetas medianos. Não sei por quê, mas tenho a impressão que seria um poeta boêmio mediano se tivesse nascido na década de 30. E vangloriaria o Rio até morrer. Era fácil ser um poeta mediano. Passar o dia inteiro no bar bebendo uísque e cerveja à vontade. Depois, bastava enaltecer aquela gostosa que passava pela rua, ou o pôr-do-sol diário, claro, em palavras bonitas e de efeito. Moleza.
Eduardo Paes, Sergio Cabral e eu. Um trio parada dura. Tentamos a todo o custo malhar o Rio como podemos. Mas às vezes não conseguimos suficientemente. É preciso olhar pra dentro da Lagoa Rodrigo de Freitas para espiar a lógica da nossa cidade. Lama, lama, lama. Como uma invenção do século XV, a segurança dos atos é inapropriada até para mim, que sou um relesmundo. Mas eu gostaria, um dia, de me afogar na Lagoa Rodrigo de Freitas. Queria me afogar de tanto nadar. Depois aparecer no jornal pálido e com frio dizendo: “amanhã eu estou aqui de novo, esse calor não dá!”.
“Tinha chuva,
Choveu
Nessa hora
A cidade desapareceu”